O burnout é um estado de espírito esquisito e desesperador, uma doença trabalhista que afeta a mente e o corpo. Busquei, durante alguns meses, compreender o que estava acontecendo comigo e a leitura dos seguintes livros me ajudou bastante. Veja um resumo, citações e o impacto que tiveram em mim. Espero que essa lista possa ajudar você também.

A Vida Não é Útil 🔗

Estas breves reflexões compiladas de Ailton Krenak carregam muita sabedoria. Escrito durante a pandemia de COVID-19, o livro traz vários saberes sobre a visão de mundo dos povos tradicionais brasileiros. O título do livro resume bem o que começou a abrir meus olhos sobre o que eu estava sentindo durante o burnout. O seguinte trecho me ajudou a perceber que eu poderia estar passando por situações de abuso que não me permitiam viver adequadamente:

"... a vida não tem utilidade nenhuma. A vida é tão maravilhosa que a nossa mente tenta dar uma utilidade a ela, mas isso é uma besteira. A vida é uma fruição, é uma dança, só que é uma dança cósmica, e a gente quer reduzi-la a uma coreografia ridícula e utilitária."

Ciente de que não sou ferramenta, busquei aprofundar em mais leituras para me conhecer melhor.

Inteligência Emocional 🔗

Este foi o livro que me ajudou a reconhecer o funcionamento biológico por trás das crises de ansiedade que me paralisavam. Daniel Coleman chama esses momentos de Sequestro Emocional:

"Nesses momentos, sugerem os indícios, um centro no cérebro límbico proclama uma emergência, recrutando o resto do cérebro para seu plano de urgência. O sequestro ocorre num instante, disparando essa reação crucial momentos antes de o neocórtex, o cérebro pensante, ter a oportunidade de ver tudo o que está acontecendo, e sem ter o tempo necessário para decidir se essa é uma boa ideia."

Quando isso se passa no cérebro, acontecem explosões de emoções: raiva, medo, angústia, tristeza etc. Todo o cérebro se volta para reagir às emoções.

Mas a sensação de que o problema não residia somente em mim permaneceu e precisei buscar outros autores.

Sociedade do Cansaço 🔗

O coreano Byung-chul Han analisa neste livro as causas do burnout enquanto problema social e fundamenta muito bem seu argumento revolucionário de desconexão com o que chama de "Sociedade do Desempenho". O burnout é sentido individualmente, porém suas causas advêm da sociedade em que se encontra, que desgasta o indivíduo em prol da performance constante e absoluta.

"O sujeito de desempenho esgotado, depressivo está, de certo modo, desgastado consigo mesmo. Está cansado, esgotado de si mesmo, de lutar consigo mesmo. Totalmente incapaz de sair de si, estar lá fora, confiar no outro, no mundo, fica se remoendo, o que paradoxalmente acaba levando à autoerosão e ao esvaziamento. Desgasta-se correndo numa roda de hamster que gira cada vez mais rápida ao redor de si mesma. Também os novos meios de comunicação e as técnicas de comunicação estão destruindo cada vez mais a relação com o outro."

A leitura deste livro me encorajou a buscar mais os exercícios terapêuticos de permanecer no tempo presente e desfrutar do que meus sentidos percebiam. Após algumas semanas, até mesmo desinstalei todas as redes sociais por julgar supérfluo o conteúdo que por ali trafega.

Psicopolítica 🔗

Aqui, Byung-chul Han contrapõe a biopolítica de Foucault com a visão de uma "psicopolítica neoliberal" que consiste na "técnica de dominação que estabiliza e mantém o sistema dominante através da programação e do controle psicológicos". Como saída dessa condição social de esvaziamento, Han propõe resgatar o idiotismo de Deleuze, ressaltando que:

"O idiota é o moderno herético. Originalmente, heresia significa escolha. Assim, o herético é alguém que dispõe de livre escolha. Ele tem a coragem de se desviar da ortodoxia. Corajosamente, livra-se da obrigação de conformidade."

Entendendo as causas do problema e, encontrando uma possível saída, levei esses temas para as sessões de psicoterapia e fomos trabalhando, ao longo de meses, um caminho de autoconhecimento e preenchimento pessoal, que me permitisse escapar do vazio causado pelo burnout.

Não Aguento Mais Aguentar Mais 🔗

O derradeiro livro nesta jornada acabou se tornando um dos meus livros favoritos. A autora traz vários relatos de diferentes realidades socioeconômicas nos Estados Unidos, demonstrando como o burnout pode afetar e se manifestar de formas diferentes em diversos contextos sociais. Foi uma leitura difícil, contudo de extrema importância para desmontar o mito de que o excesso de trabalho resultará em sucesso.

"... convencemos trabalhadores de que se as péssimas condições são normais, de que se rebelar contra isso é um sintoma de uma geração mimada, de que o capitalismo de livre mercado é o que torno os Estados Unidos incríveis e de que isso é o capitalismo de livre mercado em ação. Ele transforma queixas legítimas, sejam apoiadas por sindicatos ou não, em 'ingratidão'. Também coloca o excesso de trabalho, a vigilância, o estressa e a instabilidade — as próprias bases do burnout — como padrões."

Conhecer todas as realidades retratadas neste livro fez com que eu não me sentisse sozinho em minha angústia e ampliasse meu olhar para os problemas estruturais que causam o burnout.

"O burnout acontece quando a distância entre o ideal e a realidade possível e vivida se torna grande demais para suportar... Mesmo assim, continuamos tratando esse problema social como um problema pessoal."


O período de afastamento para tratamento do burnout foi essencial para que esse encontro comigo mesmo e com todos os autores aqui citados pudesse ocorrer. Resumo toda essa jornada de leitura num único mantra que venho buscando repetir a mim mesmo: Excesso não rima com Sucesso.

Os links deste post fazem parte do programa de associado da Amazon. Ao comprar por esses links, você me ajuda a manter este blog no ar. Alguns dos livros aqui citados estão com valor promocional na Semana do Consumidor 🔗.